O NÍVEL DE UMA DEFINIÇÃO SOBRE A CONTABILIDADE GERENCIAL

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Prof. Rodrigo Antonio Chaves da Silva

Imortal da Academia Mineira de Ciências Contábeis

 

Li recentemente uma obra de um autor conhecido que falava sobre a Contabilidade gerencial, ela foi citada num outro artigo, aliás em vários trabalhos, sem algum questionamento. A crítica científica, em suma, – é bom que se diga isso – está no campo das ideias e dos problemas de conteúdo, jamais no âmbito pessoal; aqui se faz análise de ideias.

Pois bem, o autor dizia que a Contabilidade gerencial não existe, ela se faz.

Veja bem “A CONTABILIDADE GERENCIAL NÃO EXISTE, ELA SE FAZ”.

O que isto quer dizer? Quer dizer que algo se faz sem existir. O que é EXTREMAMENTE FALSO.

Claramente, se percebe que o autor não leu uma linha de Contabilidade gerencial ou de lógica, para dizer um absurdo desses.

Ora por que as coisas existem? Entramos no conceito ôntico, ontológico e metafísico. Elas existem porque tem uma razão de ser. Existem porque se evidenciam à inteligência. Se pode ver ou pensar nelas. Possuem um objeto. Se há uma razão de ser, temos um porquê que admite uma causa. A árvore é, porque alguém a plantou, nós somos, porque temos células, e assim por diante.

Leibniz dizia que o nome é um conjunto de predicados de uma coisa. Se as coisas existem nós damos nomes a elas.

Se lermos as obras dos maiores lógicos do mundo desde Aristóteles, até Costa Leite, vamos perceber que os nomes são determinações REPRESENTATIVAS do que as coisas são.

Ora, se a Contabilidade gerencial não existe, porque DAMOS NOME A ELA? Se ela tem nome, é porque tem um conjunto de predicados. Então, ela existe, e tem um conceito. Uma série de caracterizações. Um conjunto de propriedades. Existe e tem uma razão de ser. Ela se difere de outras aplicações e outras coisas. É uma vertente da Contabilidade científica e geral.

Agora, surge o termo do colega A CONTABILIDADE GERENCIAL NÃO EXISTE, ELA SE FAZ.

Ora por que fazemos uma coisa? Porque existe a atividade de se fazer. Vamos capinar um quintal porque existe o quintal, o mato, a enxada. Vamos contabilizar porque existe o fato, o livro, os documentos. Vamos dormir porque existe o cansaço, o sono, a cama, etc. Ora, por que fazemos CONTABILIDADE GERENCIAL? É muito simples: PORQUE ELA EXISTE.

Ou seja, o autor com todo respeito inverteu as bolas facilmente.

Ele comete uma contradição, e uma antinomia das regras da gramática, uma das maiores ciências que nós temos até hoje.

Foi um erro lógico inequivocadamente.

Conteúdo deveras tautológico.

A regra da dicção, é que se dite o que se pensa e que haja correspondência. E da certeza, é que algo que se escreve ou diz, não possa ser desequilibrado para não deixar de ser evidente. Assim surge a antinomia, que é a quebra da regra do que está escrito, para com aquilo que é o conteúdo do escrito, anulando o conteúdo que se tenta mostrar. Em suma, ele falou uma inverdade. Em outras palavras TAL CONCEITUAÇÃO ESTÁ ERRADA.

O termo correto é: A Contabilidade gerencial existe e se faz.

O que ele quis dizer, e não escreveu, no nosso modesto entender é diferente, vejamos:

“A Contabilidade gerencial é técnica, existe e se faz”

“A Contabilidade gerencial, para existir com mais concretude, tem que ser feita”

 “Nós fazemos a Contabilidade gerencial, ela existe como tecnologia dentro do contexto de sua ciência, é uma aplicação tecnológica do que entendemos como Ciência Contábil”

 

A Contabilidade é a ciência, a gerencial, é uma versão aplicada, isto é, uma aplicação dos seus princípios para se fazer a administração dos patrimônios, promovendo a prosperidade. Não pode ser confundida como “custos”. Embora tenha relação com este setor.

Como SE PODE FAZER UMA COISA QUE NÃO EXISTE? Ora fazer nada do nada é nada, então NÃO EXISTE.

É mais uma NOTA 10 PARA A AUSÊNCIA DO ESTUDO DE LÓGICA PARA OS CONTADORES, do que é exigido de termos curriculares, como base bibliográfica, mas que não tem sentido lógico nenhum.

Cada vez que eu leio os livros de Contabilidade no Brasil, dos autores que são considerados pela estrutura formal como os obrigatórios e “grandes”, um tipo de “semi-deus”, fico cada vez mais feliz, pois percebo claramente por que na academia contábil em nosso país não há discussão. Obviamente, é porque muitos deles estão errados, sabem que estão errados, e não querem reconhecer-se como tais, ensinando aos outros coisas erradas também.

Por isso que nós estamos andando para a frente dos últimos lugares em matéria de raciocínio formal básico. Inclusive dentro da academia contábil.