O NEOPATRIMONIALISMO COMO PROPOSTA EIXO PARA OS CONTABILISTAS DO PERU E DA AMÉRICA LATINA

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Prof. Rodrigo Antonio Chaves da Silva

Da escola Neopatrimonialista

 

Recentemente, no dia 06 de Abril deste ano, realizou-se o Congresso internacional do ICODE (Instituto de Contabilidade e Desenvolvimento Econômico), o qual é dirigido pelo competente Dr. Jesus Captcha, excelente contador peruano, o qual tivemos o prazer de conhecer por conta do Congresso Internacional das Fronteiras do Conhecimento em 2012, na cidade de Huancayo.

No painel que nos disponibilizaram, estavam os Doutores Victor de la Cruz, Rafael Franco (o mais influente autor contábil de Colômbia), e o expoente Zózimo de la Cruz.

Impressionante foram as colocações do professor Zózimo sobre a ciência Contábil, posições estas que nós coadunamos fortemente.

Primeiramente, ele destacou os problemas conceituais da Ciência Contábil, problemas estes ligados às contradições dos conceitos, que muito bem o Instituto peruano procurava respaldar, para assim aumentar os conhecimentos técnicos que disponibilizava aos seus alunos e clientes.

Outro problema que o mestre Zózimo destacou, foi com relação à problemática dos pontos de vistas gerais de nosso conhecimento.

Temos um problema “para fora” e o problema “para dentro”.

O problema de conceitos que extrapolam a Ciência Contábil, é a tentativa de tratar dos conceitos contábeis sob os ângulos da sociologia, ciências sociais, economia, direito, matemática, engenharia, e outros conhecimentos gerais.

Ou seja, é o problema “para fora”, que as pessoas enxergam o nosso conhecimento no ângulo de outras ciências, ou extrapolam o campo de nosso conhecimento para outras esferas que não são nossas, quebrando o seu princípio de identidade científica.

Claro que é um erro de conceituação extrapolar o objeto contábil, ou dizer taxativamente que ele é apenas “determinístico”, porque a fundo é necessária uma determinação para então descobrir-se e destacar-se uma ciência, isto é, se não houver determinação não há definição, logo, não podemos dizer que algo seja o que é, perdendo desta maneira o mínimo de autonomia e indicação. Toda ciência tem que ter um objeto determinado e uma determinação. Não é um elemento determinístico no sentido viciado da coisa, todavia, indicativo e definitório, contundentemente.

Isso nos leva a termos cuidados com aquelas conceituações que tentam tirar a Contabilidade do fenômeno patrimonial, ou do seu objeto, o patrimônio, para indicá-la como estudante de outra coisa que não seja o que ela estuda.

Do instrumento contábil que é a conta, se derivou a necessidade de evidenciar um objeto, a riqueza aziendal, logo, a Contabilidade tem que estudar o patrimônio nas suas características gerais. Nas suas qualidades e quantidades. Nos seus valores, e na composição dos seus investimentos e financiamentos. No seu resultado, e na sua discriminação de custos, receitas, e alterações. Nas variações diversas. O patrimônio estático, como é, e dinâmico, como vir-a-ser. Nos seus sistemas, e nas suas funções. No efeitos e causas que os acontecimentos sujeitam ao estado final do empreendimento. Portanto, a Contabilidade estuda o conteúdo das contas, isto é, o fenômeno patrimonial, e o seu estado na substância de massa integral, que é o patrimônio. Não há como fugirmos deste caminho ou desta metodologia.

Por outro lado, temos os problemas também de “dentro” da Contabilidade. Estes, são a ausência de uma distinção muito bem feita da gnosiologia, de tal maneira que o conhecimento que se caracterizou como contábil, não tenha o erro lógico de muitos outros conhecimentos que não destacaram bem os seus termos.

Aqui entramos no caminho certo do estudo Contábil, que não poderia discutir coisas fora de uma concepção lógica, como é a tentativa de destruir o que entendemos como estudo do fato, para deixá-la nos campos da informação, ou mesmo supor algo de dentro com base em coisas de fora, entrando em outras ciências que nada têm a ver com o objeto contábil.

Por muitas vezes misturaram o objeto da Contabilidade com o da matemática, da sociologia, da física, do direito, da economia, da administração, das ciências sociais, e as teorias dentro da nossa disciplina deixaram de trabalhar e muito bem a questão da natureza essencial de nosso conhecimento, desfavorecendo a perfeita gnosiologia deste caminho.

Os estudos foram desastrosos também, nas posições “de dentro”, porque elas visavam erros conceituais, elementos mal resolvidos, e condições “de fora” da Contabilidade.

Uma coisa leva a outra, uma posição “de dentro”, gerava-se por uma conexão com a “de fora”, e vice-versa.

Portanto, tanto para dentro, quanto para fora, temos problemas lógicos da parte de muitos contadores.

Um deles, o principal, é tratar a Contabilidade como uma informação, um dado, uma métrica, ou meramente um instrumento das ciências sociais, sendo que a sua natureza é social, mas não se subordina a nenhum mandamento de outra disciplina.

O outro é a fundamentá-la de tal sorte que os conceitos não são contábeis, mas são também de outras conceituações.

Tanto uma quanto outra, são posições desprovidas de cunho lógico, porque não consideram a autonomia da Contabilidade perante os outros conhecimentos.

O que podemos dizer, é que a não consideração de uma ciência com identidade, sempre destruiu a natureza científica do nosso campo do saber.

Pois então, a Contabilidade desde quando colocada em ângulos fora do seu objeto, ou mesmo sem a fundamentação científica, só foi confundida e amalgamada, só foi destruída no seu arcabouço lógico, ou não teve avanços.

Palavras bonitas podem ser utilizadas, todavia, com conexões fracas, e com conteúdos vazios.

Assim fundamentam a ciência os novos mágicos, aqueles que acreditam na alquimia no lugar da química, ou até mesmo os feiticeiros da Contabilidade, cujas mandigas são muito fracas, em tons diretos, as conotações que fogem da identidade contábil hoje, vindas de contadores mais ou menos influentes, são desprovidas de conteúdo científico básico.

Temos falhas então tanto para fora, quanto para dentro, e estas denúncias foram muito bem expostas pelo Dr. Zózimo.

Agora o importante é que havia contradições técnicas e teóricas, e para afretar-se as aludidas, era fundamental uma DOUTRINA que guiasse tais pensamentos.

Para bem aparar uma contradição, é mister fazer com que haja correções lógicas.

Para tanto, expôs os problemas internos da Contabilidade, e que a doutrina eixo que utilizavam para bem aplainar as correções era o Neopatrimonialismo.

Ou seja, a DOUTRINA QUE PODERIA CORRIGIR FALHAS LÓGICAS E MANTER O NÍVEL SUPERIOR DA CONTABILIDADE, É O NEOPATRIMONIALISMO, na concepção do competente do Dr. Zózimo de la Cruz, opinião essa que comunga o instituto peruano ICODE.

A doutrina neopatrimonialista não é uma teoria vazia, ela apropria-se de conteúdos científicos dos maiores doutrinadores da Contabilidade, especialmente, de Masi, Lopes de Sá, Amorim, D`auria, que foram os maiores escritores do mundo.

Depois, ela não se mistura com outras disciplinas, e muito menos faz posicionamentos para fora da ciência, destruindo destarte o princípio da identidade que tende a oferecer a realidade da natureza da Contabilidade.

É uma doutrina de dentro da Contabilidade, que mantém a sua teorização sem se dispor em misturar-se com outros conhecimentos.

Desta maneira, podemos considerar realmente que não pode ser este tipo de proposição uma mera doutrina, mas realmente uma teoria das mais lógicas que possuímos.

Ela avançou mais que a de Masi, no sentido que deu o caráter ambiental a condição de causa agente, sem se misturar com doutrinas extra-patrimoniais ou extra-contábeis.

E ao passo, ela se fundamentou em conceitos dos contadores, e não de cientistas sociais, economistas, advogados, etc.

Até hoje, há erros de alguns contadores que querem enxergar a Contabilidade pelo ângulo alheio das doutrinas científicas que permeiam sobre o seu objeto (e até há alguns contadores que querem mandar nos conceitos de Contabilidade, mas não têm a capacidade de entender alguns conceitos básicos, muito menos de criar teorias importantes).

Portanto, é uma doutrina que propõe um mundo contábil que seja dos mais adequados para o nosso conhecimento, e merece o nosso respaldo sem dúvida.

Igualmente, os problemas gerenciais do mesmo instituto, eram para serem bem corrigidos, e aplainados, com a proposta do neopatrimonialismo, como eles fizeram ao longo do tempo, usando a doutrina nacional brasileira para melhorar a Ciência Contábil e seus efeitos gnosiológicos, e consequentemente, os aparatos técnicos de suas consultorias e aulas.

Portanto, a apresentação da excelente doutrina em solo internacional, demonstra que ela continua viva para o mundo, como a única teoria atual latino americana, fundada originalmente por um brasileiro, diferente das outras que foram literalmente copiadas do estrangeiro, ou são aplicadas aqui.

Em suma, o Neopatrimonialismo se constitui o eixo teórico máximo do Brasil, e o mais citado empreendimento teórico de latino América, que compete integralmente contra as teorias hegemônicas universitárias, como a do positivismo, e outras mais, todavia, respalda-se na lógica, e perfaz o seu caminho com maestria, tentando conquistar o seu espaço por meio dos seus argumentos, e não por influências políticas, institucionais, mercadológicas, ou avulsas às dos verdadeiros filósofos do saber.