O MÉTODO PARA BEM PENSAR

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram

Compartilhe este artigo!

Prof. Rodrigo Antonio Chaves da Silva

Da escola Ratiocinandi Scientia

 

O grande francês René Descartes, para garantir um caminho adequado para o estudo científico, escreve uma obra chamada: “Discurso do método”.

É uma das obras mais importantes da filosofia, e também uma das mais contundentes.

É um trabalho simples embora os conteúdos gnosiológicos sejam bastante complexos.

Também é um livro pequeno, todavia, bastante substancioso.

Recomendo a todos a leitura desse livro que abriu minha mente, há quase 20 anos atrás, e que ensina a qualquer estudante a bem pensar.

Foi uma das primeiras obras que li sobre filosofia.

O objeto de estudo da obra é o método, ou seja, “objetivo” da “estrada”, o caminho para a pesquisa, e é fácil aprender, o difícil é praticar. Tal como os exercícios físicos, os intelectuais devem ser praticados.

O estudo e o bom pensar requerem somente práticas. Ou seja, é um exercício dos mais difíceis. Mas quando se está aprumado a se realizá-lo, deve-se continuar, prosseguir, até não parar mais.

Pensar, escrever, interpretar, são exercícios da mente.

Se quer bem exercitar tem que também, muito bem praticar, e saber praticar muito bem.

O resumo da obra é muito simples.

Primeiro pega-se um objeto e o divide, estuda-se suas partes, junta-se o objeto fazendo raciocínio sobre o todo. É a chamada ANÁLISE e SÍNTESE. Primeiro a decomposição, e a partir do estudo dessas partes, temos a reunião das conclusões, isto é, um resumo. A conclusão enceta das partes para o todo e vice-versa.

Há quase 500 anos este gênio deu dicas indeléveis para o pensamento: quando se estuda um complexo, deve-se dividi-lo, estudar suas partes, depois juntá-las e entender o todo.

Em auditoria, para contar um bolo de dinheiro, dividimos o mesmo em notas específicas, somamos cada qual para ver se bate com o valor do todo.

Para a perícia temos que entender o objeto e cada fase do processo para temos uma conclusão da necessidade e da relevação do periciamento.

Para estudar uma empresa, é fundamental dividir as suas contas, e a partir do estudo dessas partes, e desses fenômenos, entender o todo.

É o mesmo critério que ensinamos na análise de balanços.

Segue a mesma linha ótica da técnica de elaboração dos balanços: cada lançamento revela uma parte, juntamos o mesmo nos razões, balancetes, e depois formamos o balanço, por grupos. Até uma totalidade. É a síntese.

Interessante que a primeira tese de Contabilidade de Coffy e Costay, eram contundentes na explicação do mesmo método para a nossa ciência.

Isto é, para que a Contabilidade siga o seu plano como ciência, temos que analisar e observar cada uma das partes do capital, depois procedermos a uma conclusão geral da riqueza, portanto, análise e síntese.

São estas duas metodologias que fazem o plano geral e a conclusão de uma ciência contábil, ou do poder científico da Contabilidade.

É um método universal para bem pensar; para os professores, e alunos.

Se todo aluno pensasse em dividir o que estuda, facilitaria sua leitura, fazendo o seu conhecimento total ser mais amplo.

Para qualquer pessoa que queira investigar e estudar bem uma profissão, é mister que tenhamos as ferramentas de análise e síntese, ou na memória os métodos passados pelo grande René Descartes. É um dos primeiros passos para se bem pensar.