O INTELECTUAL DA CONTABILIDADE

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Prof. Rodrigo Antonio Chaves da Silva

Escola Ratiocinandi Scientia

 

Aristóteles demorou vinte anos de estudos para defender sua própria escola. Ele estudou muitos anos as obras de Platão para assim produzir seu trabalho. Era aluno pessoal dele. São considerados mais de cem livros escritos pelo mestre de Estagira. Não se vendeu, não prejudicou os outros, e não se achou melhor que ninguém. Ele era Aristóteles, discípulo de Platão, mas era o Aristóteles.  Não era o mais rico, nem o mais bonito, nem o mais político, nem o melhor orador, muito menos o mais influente, todavia, aquele que fez a base de uma cultura que dura mais dois mil anos. Ele criou a base da cultura ocidental. Não existe teoria atual sem se ter consultado Aristóteles até mais que Platão.

Aristóteles falou a verdade, e não mudou de opinião porque ouviu alguém falar diferente.

Kant ficou dez anos estudando para terminar a sua “Crítica da razão pura”, não foi influenciado por ninguém, a não ser a autoridade do conhecimento.

Descartes meditava diariamente para produzir seus livros, chegando até a passar frio durante suas meditações de maneira a defender a verdade, não se preocupou tanto com a autoridade política da época e sim com as suas teorias.

Na Contabilidade os maiores intelectuais também fizeram assim. Carlos de Carvalho teve um professor polonês, o qual lhe ensinou por vários anos, para ele produzir sua coleção levou também muitos anos.  A primeira coleção de Contabilidade reeditada por mais de oitenta anos, existente até hoje foi a do mestre Carvalho. Infelizmente, poucos dão valor a este trabalho cultural autêntico.

O próprio Masi dizia que demorou no mínimo dois anos para amadurecer a sua ideia patrimonialista, ainda durante a primeira guerra. Havia a influência personalista acadêmica da época, mesmo assim condenado pelos seus pares, ele manteve a sua ideia, ganhou o mundo à custa de muito preconceito. E ultrapassou o seu mestre Besta em níveis teóricos e práticos.

Os intelectuais de Contabilidade defenderam seus pontos de vista após longo período de estudos, não é apenas experiência, mas estudos programados que fazem-lhes acumular conhecimentos, sobretudo a dedicação meditada, demorada, por muitos anos.

A realidade, a busca da verdade, adequada metodologia, evidências, deduções, e princípios gerais, são os resultados da verdadeira pesquisa.

Ninguém muda um postulado que foi encontrado com o suor cerebral dos mais dedicados ao pensamento científico.

Se alguém faz uma tese, ou até mesmo produz uma vertente teórica, um teorema, uma teoria, uma descoberta, é porque se está dentro da lisura doutrinária, a qual é alcançada por causa da convicção, da metodologia, da organização, do conteúdo das demonstrações, etc. E não pelo apoio institucional ou político.

Não foram os mais ricos, os mais políticos, e nem os mais poderosos que conquistaram a ciência, contudo, os ávidos da busca da verdade.

Agora o intelectual verdadeiro não é aquele que modifica suas convicções por causa de política, normas, ou assuntos corporativistas.

Ele não se vende.

Não vende a alma para grupos multinacionalistas, sindicalistas, ou até mesmo para grupos de classe.

Não vende a alma para partidos, e grupos tendenciosos.

Não vende a qualidade do que escreve para meia dúzia de pessoas que vão vender a mesma posição, mesmo estando ela absolutamente errada.

Ele não é alienado e muito menos rábula, não é controlado, porque é homem livre nos seus ideais.

Um intelectual de contabilidade não se vende, e não compra ninguém.

Ele é elogiado por ser um homem de cultura, um homem de envergadura científica, e não um homem com dotes apadrinhantes ou poder político.

Costuma ser extremamente simples, humilde, e não alimenta inveja. Não é egoísta. E nem demagogo.

O que vemos hoje em matéria contábil infelizmente não é cultura, são vendas de “intelectuais”. Os que muitos defendiam em relação a alguns conceitos em nossa matéria, hoje tem sido totalmente beligerantes e voláteis em admitir que estavam errados. Estavam errados porque são hoje autênticos pedantes; por que na época que estavam “certos” não conseguem se admitir como não são? Por causa de política e influências econômicas.

Simplesmente estão errados.  Por quê? Porque a norma mudou tudo. A norma hoje é a autoridade. Ela até vence os “maiores intelectuais” do nosso solo.

Aliás a contabilidade ACABOU, ELA NÃO EXISTE MAIS, EXISTE A NORMA.

O FALSO intelectual da Contabilidade é aquele que MUDA a sua ideia toda hora sem convicção, sem prova, só pela NORMA. O problema que estes falsos intelectuais são os que estão à frente do sistema de divulgação das normas. Tem todos títulos importantes. Mas o conteúdo da verdade, e a autoridade do conhecimento, foi totalmente anulada e destruída pela sua falsa de ética, consciência, personalidade.

O que um intelectual pode ser considerado no momento que os fundamentos científicos e lógicos de sua proposição são mudados por uma letra normativa que não confere com a verdade? Ele não é um intelectual. No fundo se vendeu para uma ideia falsa. Seria um SOFISTA de gravata.

O intelectual usa o intelecto e não as bases políticas, as influências de terceiros para alterar suas ideias, ele só as alterará quando realmente, após muitas pesquisas, perceber a necessidade de melhoramento, e não as alterar por modismos, por influências, ou por dinheiro, que é o jogo que alimenta as imagens contra a verdadeira interpretação dos fatos.