NUNC DIMITIS

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram

Compartilhe este artigo!

Prof. Rodrigo Antonio Chaves da Silva

Congregado Mariano

 

“Salvai-nos Senhor quando velamos, guardai-nos também quando dormimos, nossa mente vigie com o Cristo, nosso corpo descanse em sua paz”

 

Esta oração de vigilância, em forma de canto, a ouvi a primeira vez no Carmelo de Nossa Senhora, no ano de 2014. Ela revela que o Verbo Eterno não dorme e que nós devemos estar sempre com a mente adorando ao Senhor, e entregando-lhe o nosso corpo, porque como dizia minha santa vovó, “a noite é a morte e a cama é o sepulcro”. Em todo o tempo temos que dar graças a Deus, e ainda adorá-lo como nosso dever, com amor e felicidade.

Todavia, esta frase, este cântico de quaresma, revela uma filosofia importante de vida, ou melhor, a essência da vida de um ser humano.

O que quer que façamos, nossa vida não nos pertence, ela é um dom do Senhor.

Infeliz de quem acha que pode alguma coisa ou é dono da própria vida, estes são os poderosos, os maus, e os corruptos, que caminham para o buraco.

A nossa alma, nossa inteligência, e todos os dons ou prêmios do Espirito Santo, um dia nos serão tirados.

Iremos encontrar com o criador num tipo de “sono”, que é a nossa morte, portanto, só pelo fato do homem ter a morte, já é um motivo para pensar no que é a vida, senão um período de nada, uma passagem muito curta.

Embora esta seja a verdade muitos não pensam assim, seja nas suas medíocres atitudes, seja na maldade do coração. Isto lhe será cobrado até o último centavo.

Muitos dizem ter religião mas vivem como se Deus não existisse, são corruptos, mesquinhos, invejosos, fazem armadilhas, fazem o mal, e ainda chegam em qualquer pessoa oprimindo, não permitem com que o ser humano evolua, não louvam ao mérito desde quando não seja dele mesmo, derrubam as pessoas, fazem vista grossa para o bem, e barram a todos os que queiram progredir. Estes são os maus, mesmo quando vão numa religião.

É importante destacarmos que a transcendência se revela na morte, ou seja, se morremos é porque há algo mais, por isso o termo “além”, como aquilo que está a mais do que pensamos.

O trecho, da frase de introdução, vem inspirado por um homem que viveu a vida inteira só para ver por um instante o messias.

Seu nome era Simeão.

A sua vida objetivava apenas em ver o Senhor por alguns minutos, e profetizar sobre a sua vida, inspirado pelo Espírito Santo.

Ao ver sua Mãe e seu Pai adotivo, ele pronunciou a base para esta oração da seguinte maneira:

 

 

“Agora Senhor deixa o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque meus olhos viram a vossa salvação que preparastes diante de todos os povos, como luz para iluminar as nações” (Lc 1,29-32)

 

Simeão apenas entregou o seu corpo, porque cumprira a sua missão: “deixai vosso servo morrer, ou ir em paz, porque eu vi a salvação do homem”.

Que dádiva fora a de Simeão! Ver em carne e osso o verbo divino, o criador de todas as coisas.

A vida do homem não pode pois se apegar ao mundo. Embora todos nós tenhamos que trabalhar, o mundo e a vida, não podem se sustentar pelo dinheiro, há algo muito superior a tudo isto.

Vejam as árvores, os pássaros, a terra, a natureza, nada disso precisa de dinheiro, e não se preocupa demasiadamente em ajuntar; a cada mar que vemos, há um limite com a terra, e a cada terra há um limite de frutos, e a cada planta não se ultrapassa o céu; para cada coisa que Deus fez há um limite determinado por Ele mesmo.

Portanto, pouco adianta ao homem querer ter muito se Deus não o permitir, tudo o que temos e somos devemos ao Senhor!

Infeliz do homem que aceita ou adora ao dinheiro, e faz o mal ao outro por conta do seu trabalho, este realmente terá a sua perdição claramente.

Não podemos servir a Deus e ao dinheiro.

O ímpio que se apega ao dinheiro, é como o gado morto que é abatido, é um néscio e um tolo, uma pessoa que não pode ser chamado de humano mas sim de animal.

Destes indivíduos o mundo está cheio, mas a verdadeira filosofia diz que estas coisas não preenchem a alma, e ainda não satisfazem totalmente a vida, não podemos somar um milímetro de tempo à nossa duração, e tudo está determinado por Deus.

Ora, se o homem na sua vida, não depende de si mesmo, por quê faz o mal como se Deus não existisse?

Vejamos o que a sagrada escritura diz ostensivamente: que de todas as coisas um só é o Senhor, e que não devemos dar importância às coisas do mundo, porque a nossa vida e nossa morte não dependem destas coisas.

Quer morramos, quer vivamos, em tudo está a mão de Deus! Aliás tudo está na mão de Deus!

Adorar a Deus provoca saúde! Agora o amor às riquezas e coisas deste mundo nos dá tristeza e perdição.

Peguemos o exemplo de Simeão, toda a vida, para fazer apenas uma coisa: ver o Verbo Eterno. Ele se entrega para a morte, e deixa com que Deus faça o que quer da sua vida. Portanto, não era apegado ao mundo e nem ao dinheiro. Embora usufruísse dos dois.

Alguns neo-pagãos agem contrariamente a isto, estão dentro da igreja, ou com alguma fé, todavia, não a praticam, continuam fazendo o mal para o semelhante e deixando de amar a Deus. Será que não se percebe isso? Por isso que a sagrada escritura diz claramente que aqueles que são apegados serão abatidos, estão caminhando para o buraco.

Uma vida apenas para ver o Verbo Eterno e morrer.

Hoje temos este privilégio de ver a Jesus todos os dias, seja no celular, seja na bíblia, e seja ainda na Sagrada Eucaristia que exige a nossa visita nem que seja alguns minutos ao dia quando estivermos com a oportunidade.

Vemos a Deus todos os dias e não prestamos atenção nestas coisas, que o nossos corpo e a nossa alma dependem da vontade de Deus, logo, são todos deles, e portanto, a nossa missão não é outra senão adorar e entregar-se a Deus, nada mais.

Guardai-nos Senhor quando deitamos, e salvai-nos também quando dormimos, que a nossa mente sempre vigie com o Cristo e repouse em sua paz!