MEIOS VERDADEIROS DO AGNOSTICISMO COM FINALIDADE FALSA

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Prof. Rodrigo Antonio Chaves da Silva

 

O termo agnóstico significa “não crença” ou “não saber”.  É uma doutrina ateíca que diz que é impossível ao homem considerar que existe ou não a existência de Deus. Se embasa num dilema: não posso dizer que sim ou não, porque não consigo raciocinar ou provar totalmente a existência divina.

É irmão do gnosticismo, este, destrói o mistério, diz que tudo é possível de conhecimento, então a regra da Igreja não seria mais concebida senão num conjunto de conceitos; e muitos religiosos destruíram em si a fé, pensando que tudo é mera mecânica normativa de conhecimento.

Sobretudo, o agnosticismo nos chama a atenção, pois, também está presente em algumas religiões que são mais filosofias.

Quando as religiões foram formadas, muitas delas criavam filosofias, como o caso do semitismo, helenismo ou do hebraísmo, outras existiriam a partir de uma filosofia, e logo, mesmo sendo consideradas como tal, eram embasadas num tipo de interpretação do mundo e não numa revelação.

É o caso da religião Hindu, ela imagina o Brahmá como uma força oculta e sagrada, um Deus no sentido do ser, e o Brahman seria um Deus impessoal, apenas uma substância, portanto, uma religião nitidamente filosófica que se cria a partir de conceitos metafísicos.

No Budismo, temos já uma volta ao não ser; a filosofia prega que não se pode conhecer o ser, logo, o importante é esvaziar-se de si mesmo, o verdadeiro nirvana, isto é, o nada, portanto, ela acredita num tipo de agnosticismo, e num caminho para o ateísmo; é um tipo de religião sem Deus.

Portanto, podemos observar que das visões filosóficas que criaram a religião, das religiões que fizeram uma filosofia, aquelas que se derivaram de pensamentos metafísicos são nitidamente provindas de um elemento de conhecimento, ou gnóstico ou agnóstico, contudo, isso nada tem haver com o agnosticismo moderno historicamente falando (doutrinariamente tem até alguma relação).

Especificamente, no campo da ciência e da filosofia em si, o agnosticismo teve como maior nome Tomas Henry Huxley, que pregava esta premissa não pertencente a nenhuma religião, mas da adoção “científica” de cepticismo: “o homem não tem meios para acreditar em Deus, porque não há provas suficientes”. Sobre o contexto de prova suficiente poderíamos discutir as formas diretas e indiretas, no entanto, vamos nos centrar, sobre os meios para se acreditar em Deus.

Inicialmente pela análise. Se pegarmos cada existência, na sua entidade, ou no seu ser, perceberíamos que todas elas teriam algo universal que lhe dá vida ao mesmo tempo, e co-existentemente. Esta mesma “coisa” seria na verdade um ser. Como dizia Aristóteles, o único ser (assim dizia em sua filosofia). Ou mais bem dizendo: um único ser necessário que em cada coisa teria um pouco de si, até o infinito, chegando no campo eterno.

Portanto, analisando, e sabendo que há em cada coisa, mesmo limitada, um grau de perfeição, chegaríamos no que chamamos como o Ser Supremo, isto é, Deus.

Agora vejamos a síntese. O tudo, o todo, o contexto, o universal, o universo, existe porque algo, ou o ser abrange tudo, nisto temos um conceito de Deus como o próprio substantivo que representa uma totalidade, ou mesmo os catálogos de bem, bondade, amor, virtude, etc. Ou seja, Deus é o Ser Supremo, ou perfeitíssimo, que está em toda a parte, e está em tudo, e nós estamos nele. É como dizia São Paulo, Nele somos, estamos e vivemos.

Logo, pela síntese ou pela análise temos Deus, como Ser Universal de todas as coisas, e um Ser mono que nós estamos nele.

Pois, bem penetremos no conceito: Deus é um Espírito perfeitíssimo, puríssimo, infinito, que está em toda a parte, e em todos, nunca teve início e nunca terá fim, portanto, eterno.

Veja bem, este conceito admite um grau de pensamento que nós não temos, isto é, entender o que é um Espírito Perfeitíssimo, que nunca teve início e nunca terá fim, é praticamente impossível para nós humanos. Podemos saber sem entender, mas acima de tudo a fé não é conhecimento, então devemos crer. Ou seja, temos que entender que Deus para ser Deus tem um conceito muito acima de nossa concepção ou de nossas ideias, nenhum de nós pode abstrair inteiramente o que é o eterno, e neste caso, será impossível ao homem saber o que realmente é isso, até experimentar isso, ou até mesmo explicá-lo completamente.

O que o agnosticismo tem então em relação aos meios não deixa de ser verdadeiro no grau de suficiência: Nenhum ser humano tem capacidade suficiente para saber quem e o que é Deus, ou como dizia São João da Cruz, Deus é inacessível, não podemos conhecê-lo inteiramente. Porém, este é o MEIO PARA ACREDITAR E PARA PROVAR A DEUS. Ou seja, se Deus fosse entendível não seria mais, e pelo fato de saber que é eterno eu creio nele. Isso – os meios de agnosticismo –, nos fazem crer, e aceitar que o Ser Supremo não pode ser preenchido em palavras humanas. Nunca haverá meios suficientes e compreensíveis para entender a Deus. Esse que é o meio e prova da sua existência.

Ora a ferramenta principal da fé é saber sem entender, e acreditar, ou confiar Nele, e não necessariamente entendê-lo completamente.

Portanto, de alguma forma, o MECANISMO DA FÉ é igual o AGNOSTICISMO, ele nos faz imaginar que não temos capacidade suficiente, e muito menos meios de entendimento possível para captar a Deus. Eu não sei, mas acredito. Isso é normal na filosofia cristã, e ainda é muito mais natural no pensamento de qualquer lógico, porque não se pode conhecer inteiramente um Ser Infinito e Eterno, e isso é o que está no conceito intrínseco de Deus. Se Deus me fosse acessível na mente não seria Deus mais, logo, não temos meios suficientes, mais isso não EXCLUI A PROVA DA EXISTÊNCIA DA PESSOA DIVINA, ao contrário, faz sê-la o que é.

A falha do agnosticismo é que mesmo reconhecendo os mesmos meios da fé, da insuficiência, ele o usa de modo errado, com fins contrários ou dicotômicos.  O que assumiria a posição de limitação com uma finalidade torta ou falsa, colocando-se contra si mesmo. Os meios de fé são os da insuficiência de entendimento, e não os meios de descrença.

Poderíamos dizer que o agnosticismo é de certa maneira a limitação do pensamento humano para se conhecer a Deus em dotes completos, todavia, quando tem a finalidade de usar estas formas contra a crença ele entra numa contradição, que é anular-se pelo próprio processo de entendimento, e o pior, excluindo a matéria da insuficiência, que é o Ser Supremo, para uma finalidade que é a da aceitação da ignorância, no lugar da certeza na não totalidade do pensamento humano no mesmo Ser Altíssimo.

Em outras palavras mais simples: o agnosticismo para os meios pode ser concebido parecido com a fé: “nenhum ser humano tem a capacidade de entender a Deus”, mas quanto aos fins é falso, porque a existência de um Deus eterno, e mesmo a crença nele, admitem a INCAPACIDADE TOTAL de entendimento. Portanto, o fim é absolutamente falso por meios aceitáveis.

. Logo, compreender o conceito de Deus não se pode. Mas para se ter fé não se precisa entendê-lo. E ainda, para se reconhece-lo, jamais se pode entender o que é na experiência o eterno e o infinito. Este é o meio de crença, todavia, os agnósticos, usam isto como finalidade para não acreditarem, o que é falso, sendo o mesmo que dizer que o todo não existe porque não posso pegá-lo, mas só posso entender uma parte. Ou que um gato não existe porque não conheço ele inteiramente. Sem dúvida, finalidade torpe, para um objeto existente, ou finalidade nula que tenta destruir um objeto, pelos mesmos meios que são fundamentais para se aceitá-lo no mínimo, ou ainda para se acreditar Nele.