INDEXAÇÃO E FORMAÇÃO

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Antigamente aqui no Brasil havia o chamado “mesário do contabilista”, um periódico de grande assinatura e repercussão. O contador tomava o seu café lendo o jornal, as crianças junto, a esposa administradora do lar, observando o andamento da educação dos filhos e o início da rotina do marido, com profunda admiração. Era um momento familiar de formação.

O profissional da contabilidade, lia o mesário, e se atualizava, com informação sobre tributos, contabilidade geral, teoria contábil, análise, auditoria, perícia, e todos os setores contábeis.

Os artigos eram pequenos, de uma coluna, uma página. Alguns tinham duas páginas.

Eram lidos, ensinavam e formavam o profissional.

Depois tivemos a existência dos chamados diários comerciais, jornais excelentes sobre assuntos de economia, direito, administração e contabilidade.

Eram os jornais mais lidos pelos empresários, e pelos acadêmicos.

No Brasil neste ínterim, aparece uma revista, ainda na década de 50, chamada “Revista Paulista de Contabilidade”. Bancada era pelo Sindicato dos Contabilistas de São Paulo. Seu editor era ninguém mais que Armando Aloe, um dos maiores da história do Brasil, e um dos maiores doutrinadores de nossa história.

Os artigos eram de duas páginas no máximo. Sobre diversos assuntos. Práticos e teóricos. E com estilo, com linguagem muito decente.

A revista paulista reuniu os maiores doutrinadores do mundo, fora os do Brasil. Era leitura obrigatória para todo os contabilistas.

Aí veio o governo, com a suas táticas de padronização.

Onde o Estado põe a mão, você sabe o que acontece, como dizia Friedman, ponha o governo para governar o Saara que vai faltar até areia.

Então, veio a chamada “indexação”, e com esta, as qualificações da CAPES que é a comissão de pesquisa acadêmica, na qual temos aparentemente a visão dos “maiores cientistas” do país. Então eles qualificam de 1 a 5, ou alguns gostam da classificação de A e E. Agora todos buscam publicada no “A”, em vez de uma revista “E”.

As revistas técnicas que formam o contador, o faz aprender o que deve aplicar ou entender, tem geralmente a classificação C. Aquelas revistas por partes dos departamentos mais beneficiados com o dinheiro do governo tem a classificação A.

O que tem Qualis no Brasil? Geralmente aquelas revistas que são taxadas como as melhores; e quem dá o Qualis? Aqueles mesmas pessoas que são líderes dos departamentos dessas Universidades, ou são membros da mesma linha.

No Brasil por exemplo, os cadernos de contabilidade da Universidade de São Paulo, são classificados com a nota máxima.

Todavia, há todas as linhas na revista? Não. Só existe pesquisa quantitativa. Por acaso a qualidade se restringiu nas pesquisas quantitativas? Então temos uma redução do conhecimento. O que é contra a universalidade e a unidade do conhecimento.

E o pior. Você conhecer alguma revista que promove um artigo metendo a lenha em algum autor de contabilidade? Não? Pois, nos cadernos da mesma universidade, tivemos menção de um artigo que era unicamente volvido para detração da imagem de outro autor, e a mesma publicação passou por processo jurídico.

Isto é o nível de revista qualis? Da maior categoria?

E tem mais, se todas as revistas se centram no qualis, quais contadores aprendem realmente lendo estas revistas? Qual aplica alguma teoria, ou alguma recomendação? Você conhece algum? Nem é preciso perguntar, se você questionar algum colega, a negativa será consideravelmente a mais certeira.

Outro dia li um artigo sobre um logito e um algarismo nepperiano que o autor nem explicar o fez, não sabia o que era… Se ele nem sabe o leitor vai saber?

Aí temos a diferença da formação com a indexação. Antigamente se preocupava e muito com a formação e o conhecimento do contador, hoje a preocupação é mais com a pontuação, e muito taxativa por sinal. Ninguém entende nada, e todos estão dando a entender que realmente sabem alguma coisa. Ou seja, estamos na carroça sem saber o destino, mas o importante é sermos transportados por um cavalo…. Ou um burro…

Para terminar, as revistas realmente técnicas e de formação, para tentarem um B, ou uma nota melhor, estão repetindo a mesma linha de auto-hipnose, ou repetição desmedida, um séquito infinitum, de maneira que deixam de ter a formação, para girar em torno de pesquisas empíricas que muito mal escritas não permitem a evolução do conhecimento.

Eis o problema, antigamente o povo aprendia muito mais, e não tinha tanta indexação, mas hoje…. O número tá valendo mais que o conhecimento.

Paz e Bem!