“COISA VELHA” NAS NOVIDADES DAS IPSAS

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Rodrigo Antonio Chaves da Silva

Contador, da escola Ratiocinandi Scientia

 

Os nossos normatizadores/legisladores atuais de Contabilidade são os melhores do mundo. Não conhecem os clássicos da nossa ciência. Proíbem os melhores livros, e as maiores obras de conhecimento contábil do mundo. Nós estamos “na frente”, sobretudo, lamentavelmente, da arrogância e da vaidade.

Pois bem, as IPSAS (International Public Standard Accouting – Normas internacionais de Contabilidade pública) hoje são as “rainhas do conhecimento”, “da verdade”, são as “verdadeiras autoridades cognitivas” no campo público. Quem discordar delas será excomungado veementemente.

Não precisa consultar “coisas velhas” porque elas( as normas) sabem tudo. “Não leiam os livros, pois é condenável”, esta é a frase que permeia o cérebro dos adoradores das normas.

Uma das colocações das normas públicas é sobre procurar avaliar os bens públicos como “novidade”, dizendo que é a “mais atualizada vertente que conhecemos”.

Daí me veio em mãos a releitura da obra de Masi “Statica Patrimoniale”, volume dois, técnicas esplendorosas de avaliação de patrimônios públicos que se adequam a várias espécies.

Vejam o conteúdo já defendido em 1945:

  1.  Avaliação de bosques
  2.  Avaliação de terrenos
  3. Avaliação de calçadas
  4.  Avaliação de prédio públicos
  5.  Avaliação de ruas
  6.  Avaliações de outros patrimônios públicos

 

Algum avaliador público que produz normas conhece estas técnicas? Eu acredito que não. Eles já sabem tudo mas desconhecem que o pai da Contabilidade moderna que primeiro as criou e as arrumou. Não conhecem e não sabem, mas dizem que sabem.

A norma ensina tudo. Sigamos as normas.

Os atuários, matemáticos contábeis, avaliadores, ou demais peritos de Contabilidade que são apaixonados pelas normas, não leram a obra, e nem sabem que Masi existiu.

Isso é que é ter conhecimento. Hoje a ignorância vale mais do que uma biblioteca.  O que eles defendem não sabem a origem, nem a técnica, nem o porquê.

Daí vem os erros, porque o conteúdo atual da avaliação normativa é péssimo, desde empirismos exagerados, até a falta de critério lógico e matemático.

Mas existem as pesquisas quantitativas que defendem as normas.

Quantidade pode ser definida como igual a uma interpretação de um contador? Por acaso os textos normativos podem ser explicados usando regras estatísticas? A gramática é guiada por estatística? Onde que nós chegaremos com um raciocínio desses? Que absurdo!

Muitos autores nacionais defendem os conceitos atuais mas não entendem quem os derivou ou fez inclinar para a forma moderna.

Aliás, os atuários e avaliadores da atualidade não conhecem a base epistemológica do cálculo de avaliação.

E ademais, não HOUVE EVOLUÇÃO ALGUMA.

Por este motivo é bom conhecer COISA VELHA, pois enquanto as COISAS NOVAS NÃO TRADUZEM NADA DE NOVO, AS VELHAS QUE NÃO FORAM ULTRAPASSADAS GUIAM REALMENTE O CONHECIMENTO.

O QUE VALE É O CONTEÚDO E NÃO A DATA DO RÓTULO.

Tem gente que é mais velho que eu e não sabe isso.

Outros tem título de doutor, e se você falar isso, eles vão gritar até cuspirem na sua cara. Essa que é a aplicação do ditado: QUANDO NÃO SE GANHA NO CONHECIMENTO, PARTE-SE PARA A IGNORÂNCIA.

No campo da avaliação do patrimônio público, as técnicas de Masi estão atualizadíssimas, e quase nada realmente fora apresentado como evolução.