“CINCO ANOS PRA CÁ” E O EPISTEMICÍDIO TEÓRICO

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Prof. Rodrigo Antonio Chaves da Silva, da escola neopatrimonialista

 

A situação do Brasil culturalmente falando não é das melhores, e não está para se evoluir pelos fatos que estamos vendo no próprio mundo acadêmico formal.

A primeira delas é a OJERIZA À LEITURA, como se fosse contrária à labuta de docente (boa parte dos professores não leem quase nada), porém, a principal delas que é um efeito da ausência de absorção da literatura é que vamos tratar agora: a incapacidade de distinção. 

Nas obras dos maiores teóricos e lógicos do mundo, vemos que a última capacidade de um doutor, de um mestre verdadeiro de ciência, é saber distinguir as coisas. Isto é um pouco não apenas de prática de taxonomia, mas de hermenêutica, com domínio da visão de conteúdo dos mesmos vocábulos, tal como a análise lógica das sentenças, a sua capacidade de diferir ou saber colocar termos de modo autônomo, diferenciando-os do que não é verdadeiro, ou que não contradigam à sua própria noção, evitando as possíveis trocas e os pontos de visão que não tem alguma relação com aquilo que se pretende, sabendo extrair o verdadeiro objeto das proposições.

Hoje a pessoa lê uma coisa e entende outra. E no campo contábil a destruição da distinção é algo mais que evidente, o que demonstra o efeito absoluto do anti-funcionalismo da inteligência.

A distinção é a parte mais difícil da ciência. Concomitantemente é a mais necessária.

Saber distinguir o que é uma coisa boa de uma ruim parece ser fácil, quando ostensivamente se parece, quando se mascara como científico, não podemos dizer que é fácil, a distinção realmente se transforma na atividade mental mais difícil. Quando não necessária, as argumentações transformam os elementos falsos em absoluto. Inclusive, as dissertações e teses que aparecem no mundo formal.

A distinção não é a diferenciação das sentenças somente, mas a certeza do que elas pretendem demonstrar, ou o que é no seu conteúdo o objeto, o que tem de bom, ou de ruim, verdadeiro ou falso, só um verdadeiro doutor sabe distinguir, e por tal, consegue ensinar o que é certo, dos modos e meios certos.

Podemos dizer claramente que se a atividade de distinção é a mais difícil, muitos que têm título de doutor não conseguem dominá-la, ainda mais quando nas suas convenções ajam a favor da ignorância com posições anti-culturais. Isso é presente no modismo academista, que vemos hoje com a proibição de leitura dos clássicos.
É o que se fala na academia formal, que para se ter conhecimento deve-se estudar os autores de cinco anos para cá. E excluir os demais. Claro que essa é uma política maliciosa e totalmente burra.

Então, eis a forma errada de distinção, de saber o que é bom o que é mau destruindo os clássicos e a tradição doutrinária, revela-se que temos “algo novo” e neste algo novo não é nada mais que é uma repetição perfunctória e muito mal feita de algumas partes dos antigos, senão de pesquisas que não resolvem nada, sendo a verdadeira síndrome do cachorro atrás do rabo.

É o período de crise na ciência, aliás, de crise na academia formal, e não na ciência, pois, a formal é mantida pelos “deuses humanos”, aquelas que para obterem o cargo sabe lá o que fizeram, pois, conhecimento real é o que não se tem, mas “vender a alma” se torna muito fácil nos dias de hoje…

Vamos lá: será que alguém nos dias de hoje conseguiu produzir cálculos melhores que um Newton, um Galilei, ou um Einstein? Isso de cinco anos pra cá? Alguém conseguiu superar a cultura de Spinoza, ou o grau de conhecimento de Dun Scott em níveis iguais nesta atualidade? De cinco anos pra cá? Alguém conseguiu melhorar a insulina, ou criar algo parecida com a mesma, ou curar a diabetes, de cinco anos pra cá sem consulta dos clássicos? Alguém conseguiu desenvolver novas leis do equilíbrio patrimonial, a nível de categoria, de cinco anos pra cá? Alguém conseguiu criar novas teorias dos números, senão aquelas básicas de Pitágoras de cinco anos pra cá? Houve um substituo para o teorema do Pitágoras de cinco anos pra cá? Existe alguém que criou alguma nova doutrina de cinco anos pra cá a nível contábil? As obras ou os artigos de cinco anos pra cá fizeram algo de novo? A descoberta do câncer aconteceu até hoje? E a da AIDS? Quer dizer que tudo o que é bom está de cinco anos para cá, logo, deveríamos ter descobertas que pudessem melhorar ou aperfeiçoar as antigas, isso não aconteceu.

Hoje vivemos realmente o tempo do farisaísmo acadêmico, aquele que pergunta aos sábios “você estudou onde?”. Pois a única autoridade não é dos autores, mas daqueles que possuem um título, um diploma, ou a cadeira de alguém dada por política e pouco mérito.

De cinco ano pra cá APENAS… Excluindo a tentativa dos mais profundos! Quem somos nós para fazer uma coisa dessas? Ou será que você tem o gabarito para mudar toda a ciência conquistada ou SCIENTIA FACTA? Pense um pouco, não se trata de impedir, mas de se incluir nos estudos, os maiores da história. Lembremo-nos que a distinção começa na escolha do que é bom ou ruim, daquilo que realmente tem qualidade!