Causas para a alta do dólar

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Prof. Rodrigo Antonio Chaves da Silva. Contador, ganhador do prêmio internacional Luis Chaves de Almeida

Recentemente nos jornais e meios televisivos vemos uma notícia da alta do dólar, nos últimos dias, e também o crescimento do preço da carne. Para ambos há uma causa, também relacionada. Mas para nós agora nos cabe tecer uma explicação da alta do dólar e dos motivos de sua alteração. Isso no ponto de vista científico e geral. Sabemos que na economia, uma de suas partes ou fenômenos a serem estudados é o câmbio, pois, as moedas não são iguais, e têm um determinado valor relativo de um período a outro, e de um lugar para outro dependendo.

Temos CÂMBIOS REGIONAIS, e CÂMBIOS GERAIS.

Se o dólar para um real hoje está em 4,00 unidades, pode ser que perto de minha região ele esteja 3,90 ou até mais caro 4,50 dependendo de condições abstratas e diversos fatores sociais e psicológicos de que o tem para vender. Se tenho a moeda e ela não me serve, eu poderia vendê-la mais barata em 3,90, agora se trabalho com a moeda e sei que o custo dela para um capital pode chegar a valores maiores eu a vendo mais cara em 4,50. A verdade é que nós não compramos dólar pelo preço da cotação somente, pagamos uma taxa extra que varia a algumas centenas de reais, outras taxas, sendo que o custo do dinheiro fica muito maior que a cotação podendo subir até mesmo a percentuais razoáveis até 20% ou talvez mais. Certa vez em uma viagem particular mirando o preço do dólar que era a base para a compra de outras moedas, ao verificar o documento de aquisição estranhei: para uma quantia pequena de Euros, um valor em média de 300 Euros, eu tinha pago mais uns 300 reais de taxas e outros emolumentos, portanto, o valor que na época era de R$ 1.200,00 mais ou menos tinha subido para mais 75 Euros, cerca de 25% da moeda estrangeira e da nacional. Um verdadeiro escândalo! Mas estas taxas aumentam também em outros países mas nem tanto, se pegarmos a Argentina e Colômbia há taxas altas, todavia, não chegam aos valores iguais aos que temos no país. Pois bem, o que regula estas taxas não são apenas os efeitos burocráticos, e a margem das agências de câmbios que vendem o dinheiro, mas uma lei básica da economia que é a da oferta e procura. Vejamos por exemplo o câmbio regional: para se bem pagar uma moeda é necessário que o preço seja regulado por fatores psicológicos e sociais, todavia, no caso de um câmbio formal, que se embasa no nacional, ou nos valores que o Banco Central dá, há pois, uma tributação, uma taxação, e uma margem que muda a moeda. Todavia, o fator principal de custo das agências, com a quantidade do dinheiro, além da sua procura, que é o responsável pela alta do dólar; é a lei simples de oferta e procura. Se houvesse uma moeda de dólar em papel, é claro que o valor dela subiria aos milhares, agora se tenho muito volume físico no país, a tendência dele é ficar mais barato. Como na Argentina se usa muito dólar, ele é um pouquinho mais barato que aqui, todavia, como ela perde poder aquisitivo, a moeda cresce em relação à moeda do país, mas em relação à nossa não. O que conta no câmbio é o volume de dinheiro no mercado. O brasileiro em si não usa o dólar, não internamente, o que é empresário e tem sua matéria-prima influenciada pelo dólar sim, indiretamente ele precisa de saber o valor da moeda, como precisa da moeda igualmente. É necessário ressaltar que o produto que depende da cotação, quando esta sobe, fica mais caro. Assim se a carne, o trigo, o leite, o pão, dependem do dólar e este sobe, tudo fica mais caro. São questões de custos indiretos por cotação. Um efeito em cadeia. O que está acontecendo com o país hoje. Especialmente com a carne. Mas a subida do dólar não é explicada atualmente apenas pelo volume da demanda e da oferta do dinheiro físico, e da média dessas operações, ele também é observado com relação ao INVESTIMENTO EXTERNO. O Brasil era um berço de especulação, ao menos era até o ano retrasado com altas taxas de juros. Elas chegaram há vinte anos atrás, em 30%, e ficaram mais ou menos nos últimos anos em 15%, baixando pouco nos últimos dois anos, mas baixando bem no ano passado, chegando hoje a 4,25%. Interessante que o investimento exterior, depende da taxa de juros não apenas para investir no país, mas para especular. Assim os especuladores que existem no estrangeiro aproveitam a má administração dos países subdesenvolvidos, que usa por conta de ideologia altas taxas de juros para quebrar o Estado e depois pôr a culpa no empresário, para investirem em riqueza de papel, ou capital artificial, eufemismo de “investimento”. Logo, todos os partidos que governam e portam ideologias nos países da América do Sul, favorecem ao grande capital, no momento que aplicam o mandamento leninista de quebra do Estado, e assim o fazem aumentando a taxa de juros e a tributação, tirando o dinheiro do mercado, e destruindo as empresas vagarosamente, um tipo de retórica mortal e suicida que permite a eles se manterem no poder, e com isso jogarem a culpa em quem não tem, para continuar favorecendo o “bem da sociedade”. Nesses países de política estatal e fanatismo político infeliz, reina a alta das taxas de juros. Com isso, os cambistas e especuladores aplicam seu dinheiro, ou em títulos públicos, ou investimentos mobiliários, letras de câmbios, e outros títulos financeiros, ganhando na margem, coisa que países evoluídos não ousam fazer, porque têm taxas médias baixas de 1% a 3% ao ano, precisamente para evitar a especulação no lugar da riqueza produtiva. Neste sistema de alta taxa de juros, a especulação aumenta, e o dólar muitas vezes se mantém em patamares baixos, outras vezes em cifras altas, todavia, é de se contar que ele mais ou menos sucede numa situação específica. Houve um tempo no Brasil que o dólar estava em 3,80 depois ele baixara para 3,10 por causa de um crise americana e não necessariamente por causa de oferta e procura. No entanto, quando há um tipo de especulação com taxas de 10% a 15% o dólar subia e se mantinha entre geralmente 3,80 a 4,20. A taxa de juros caiu, então o investimento estrangeiro não tem como roubar os lucros dos bancos, ou mesmo os ágios do Estado, porque o lucro agora pertence ao contexto da sociedade, e das empresas, o dinheiro está mais barato, o que convém alterar o tipo de investimento. O giro do capital passa a acontecer mais dentro do país por fatores internos, e por questões de circulação financeira dos empréstimos, já que as taxas estão baixas, se transformando o capital artificial em capital produtivo e interno. Portanto, os especuladores estrangeiros em vez de manterem o seu capital aqui, deixam de investir vendendo seus ativos, porque as taxas estão baixas, quase iguais dos seus países. Com isso a oferta de dólar vai aumentar porque a quantidade do mesmo dólar no mercado diminuiu. Menos quantidade, aumento de preço. É uma regra insofismável que regula também o câmbio. Por isso então que o dólar subiu nos últimos dias, ao termos uma queda do investimento estrangeiro em capital de especulação pela baixa taxa de juros em menos de um ano e meio de governo; a tendência do dólar é subir porque há menos quantidade no mercado, menos demanda para especulação, então o preço do dinheiro estrangeiro e especulador sobe. Num ponto a alta do dólar demonstra um fator positivo: que temos crescimento em atividade produtiva e redução da especulação, num outro aspecto poderia fazer crescer certos tipos de produtos. Todavia, há de entendermos que no geral a causa foi boa, pois, o dinheiro no mercado tende a favorecer ao pequeno comércio, e com o aumento da produtividade a tendência é nosso custo geral baixar, e com isso haverá aumento da nossa moeda, e a queda do dólar vagarosamente. A tendência, tirada as condições mais drásticas, é uma estabilização da moeda nos próximos meses, com o aumento do investimento produtivo, nacional e estrangeiro, inclusive americano no país.