A CONTRADIÇÃO DE UMA DAS AFIRMAÇÕES DO MARXISMO EM FRIEDRICH ENGELS

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram

Compartilhe este artigo!

Prof. Rodrigo Antonio Chaves da Silva

Contador

Não há dúvida que uma das poucas doutrinas que alcançou o frenesi no mundo inteiro, a multiplicidade de adeptos, uma adoção quase que primordial de muitos acadêmicos profissionais, a adesão até dos mais cultos, destarte, simultaneamente, um desconhecimento dos seus princípios e estruturas foi a doutrina marxista, tema das ciências sociais, filosofia, economia, gestão doméstica, e outras áreas de conhecimento.

Amada por muitos, elogiada por alguns, todavia, sendo a perene constante da Universidade brasileira, ela ainda continua a alcançar adeptos e está embutida na maioria dos partidos políticos.

Muitos são marxistas e não sabem o que estão falando ou estão fazendo. Não conhecem as bases. Às vezes mentem: “eu não sou”.  Mas a agenda é igual à dos conceitos marxistas. Enfim, é a doutrina que mais se tem misticismo. Tratada até como caráter messiânico com posições que não batem no seu aspecto lógico interno, e muito menos externo. Todavia, há que se ter estudos sérios sobre tal conteúdo, em matéria política e social.

No aspecto externo falamos de sua aplicação, e no aspecto interno da sua estrutura gnosiológica.

No aspecto externo são várias as versões que floreiam o conteúdo marxista, dizendo que é uma utopia que escolhe um mundo sem patrões e nem empregados. Outra diz que favorece a um mundo igual. Alguns comentam que ela vencerá a desigualdade social. Outra versão é que ela é igual aos Evangelhos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Entre as posições mais apaixonadas, todas as supra citadas realmente não têm coerência, nem mesmo numa análise devota, e apaixonada. Ou seja, não é marxismo. Como diziam na época viva de Marx, e este se expressava: “se isso é marxismo eu não sou marxista!” é o mesmo que vemos acontecer nos dias atuais.

O que está escrito nos seus “Manuscritos Econômico-filosóficos”, em sua obra “O capital”, e no “Manifesto comunista” não é realmente igual a todas as versões acima relatadas, ao contrário, como dizia um grande marxista nacional que é José Paulo Netto (https://www.youtube.com/watch?v=2WndNoqRiq8 ). A obra de Marx é uma obra de crítica, de produção de uma teoria social, e neste contexto deve ser entendida. Se faz a crítica, então, se quer a revolução. E não necessariamente na visão messiânica, até porque, os efeitos da aplicação do modelo desastrosos. Não houve salvação da sociedade. Mas perda.

Destarte, não podemos entendê-la mesmo sendo utópica, ou como a utopia da utopia do paraíso. Até porque Marx não era cristão, era ateu, e militante, ou seja, contrário a toda e qualquer manifestação religiosa. Não esqueçamos que é dele a célebre frase “a religião é o ópio do povo”. Ele não era apenas ateu, mas anti-religioso. O chamado ateu militante que quer destruir a religiosidade.  Todo ateísmo militante tem um grande grau de satanismo, isso é fato.

Todavia, não é este aspecto externo que vamos favorecer em nosso tratamento, mas, ao aspecto interno de sua própria estrutura, não com base nos “manuscritos econômico-filosóficos”, muito menos na sua obra sobre “o capital”, mas no “Manifesto Comunista” mesmo, onde se lê:

 

“…Além disso, existem verdades eternas, como liberdade, justiça etc., que são comuns a todas as condições sociais. O comunismo quer abolir as verdades eternas, suprimir a religião e a moral, em vez de lhes dar uma nova forma; portanto, ele contradiz toda a evolução histórica anterior” MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Expressão Popular, 2008. P. 43.

 

 

Entendamos bem a condição que os dois autores falam, sobre a extinção das “verdades eternas”, que não estão apenas no campo social, ou espiritual. Estão no campo lógico. Ora, as “verdades eternas” são as leis da ciência. Então, abolir as verdades eternas é DESTRUIR AS LEIS DO CONHECIMENTO. Os ideais de liberdade, justiça, respeito, são leis e normas eternas. O amor também. As leis da Física, da Química, da Contabilidade, do Direito, são leis eternas também. Está claro: quer a doutrina marxista destruir as verdades eternas.

Veja claramente que há uma defesa sobre a extinção das leis.

Todavia, esta posição é contradita por Engels claramente em sua obra sobre a dialética da natureza, explicada por Leôncio Basbaum:

 

“Diz Engels que as leis da dialética são tiradas da história da natureza e da história das sociedades e se reduzem no essencial às três seguintes:

  1. A lei da transformação da quantidade em qualidade, e inversamente;
  2. A lei da interpenetração dos contrários
  3. A lei da negação da negação “ (BASBAUM, Leôncio. O processo Evolutivo da História. São Paulo: Edaglit, 1963, p. 47)

 

A primeira lei diz respeito à mutação das coisas, um valor pode ser ligado a um bem, e assim por diante. Não há valor sem a coisa.

A segunda diz respeito à ligação impossível de ser desfeita da relação de causa e efeito dos fenômenos, portanto, o que é contrário, ou mesmo é efetuado são ligados, como por exemplo, ativo e passivo.

A lei da negação da negação seria o mesmo que a lei da afirmação, é um tipo de lei cristã, não sabemos porque ele defende esta lei, já que é ateu como Marx, ou seja, aqui defende a mesma lógica dos escolásticos, que no geral, a filosofia da negação e da crítica não consegue superar a da lógica e da afirmação. É uma lei também divina e cristã. Deus sempre existiu e logo não é possível haver o nada.

Para quem lê esta afirmação última, percebe-se claramente que qualquer cristão ficaria mais vivo, com o texto do materialista.

Ora, a defesa de Engels mesmo sendo ateu apenas sustenta a religião e a escolástica. Não estamos dizendo que ele o seja. Mas que ele o fez por erro de afirmação, na sua intenção, fez, mostrando que é insustentável a um ateu defender aspectos da economia que não são condizentes com as leis da ordem e do cosmo, e sem admitir que há uma constante ao mesmo tempo.

Assim, até o próprio Basbaum interpela nos textos, afirmando haver leis insofismáveis na história.

Comparando a afirmação dele, com Marx no manifesto, e com a posterior posição sua, vemos claramente que há uma CONTRADIÇÃO.

Portanto, há leis que ele diz que existem em todas as ciências, normalmente, e outras ligadas à ordem que Deus criou.

É impossível, pois, a Marx, e a ele mesmo, Engels, favorecer a uma economia tal qual pensavam, numa taxação progressiva e excludente das leis eternas e imutáveis, porque isso incha o Estado e destrói a sociedade livre.

Numa análise séria podemos dizer que há uma quebra do princípio da contradição ou melhor, uma clara negação do que se quer predizer, esta é uma das falhas metodológicas do marxismo, que é afirmar algo que não se sustenta, nem com os sequazes e ao mesmo tempo, nem pelo próprio método, porque se existe algo criado ou na realidade concreta, ele é sujeito às leis criadas por Deus, ou pelo autor da ordem.

Em outras palavras: não se pode e não se consegue DESTRUIR AS LEIS DO CONHECIMENTO, AS LEIS GERAIS, E AS LEIS ETERNAS!