A CONTABILIDADE MECÂNICA NA ÓTICA DO MESTRE FRANCISCO D`ÁURIA

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Prof. Rodrigo Antonio Chaves da Silva

Da Escola Neopatrimonialista / Escola Ratiocinandi Scientia

A Contabilidade é uma ciência.

Porém, possui também uma arte.

Considera-se em Filosofia “arte”, todo um conjunto de aplicações cognitivas, tendo em vista os conhecimentos gerais de uma disciplina superior.

Com o tempo o termo “técnica” deu lugar a uma palavra de uma gama maior que seria “tecnologia”, isto é, uma aplicação de conhecimentos.

A Contabilidade não terá fim porque é uma ciência, e como tal necessita do ser humano para fazê-la, e mecânica é apenas o seu processo de informação, ou seja, as suas artes; outras, mesmo usando a informação (como a auditoria), necessitam mais de raciocínio e saber para bem aplicação do seu exame que necessariamente uma mera mecânica, então, são aplicações intelectuais também.

Pois esta visão, que bate muito com a de Lopes de Sá, veio especialmente do mestre D`áuria que era o professor do mestre mineiro, ou seja, Lopes de Sá era discípulo de Francisco D`áuria.

Mesmo o mestre D`áuria reconhecendo que a tecnologia iria evoluir, exigindo mais conhecimentos, não deixou de escrever sobre a parte mecânica da nossa ciência, isto é, sobre o conjunto de meios de informação, ou melhor, os modos e técnicas para bem produzir o dado contábil, que não deixa de vir de um fenômeno de estudo: o patrimonial.

Alguns profetas da mentira dizem que a profissão contábil vai acabar, sendo que ela tem início com o homem, e mesmo se ele se extinguir ela não deixará de haver, por causa da mentalidade divina que a criou desde sempre no paraíso (logo Deus, o grande Arquiteto do Universo, foi e é o grande Contador eterno).

O mestre D`áuria sempre discordou desta questão, considerando que a Contabilidade mecânica era uma parte da produção da informação e não toda a ciência, muito menos toda a profissão.

Neste contexto, ele escrevera sobre a Contabilidade mecânica nos auspícios da década de 30, todavia, suas ideias estão vivas até hoje.

Muito da parte artística, escriturativa, e informativa, se mecanizou, mas a profissão, e o conhecimento contábil não se extinguiram.

Quase cem anos de sua obra, ainda há Contabilidade, e ainda há Contabilidade mecânica, que seria mais o conjunto de técnicas de produção dos dados.

Os profetas da falsidade anunciaram que o advento das máquinas iriam acabar com o emprego no mundo, e que a Contabilidade seria absorvida pelas ferramentas mecânicas de cálculos, o que aconteceu foi totalmente o contrário: As máquinas não desempregaram o contador, mas FACILITARAM O SERVIÇO MECÂNICO.

A Contabilidade sempre existirá na sociedade humana.

As máquinas vieram para substituir o serviço mecânico do homem, e não o INTELECTUAL. Tudo veio para melhorar. Imagine hoje um escritório de Contabilidade, sem um computador? É impossível nos dias atuais.

O mestre FRANCISCO D`AURIA, já produzia uma tese formidável embutida em seu livro com o mesmo nome: ‘CONTABILIDADE MECÂNICA”.

Impressionante é sua cultura.

Ele fala abertamente que o homem primitivo procurava se agasalhar, alimentar, e fazer evoluir os instrumentos de pesca, caça, e cozinha. Depois passou a ter instrumentos de contagem mais sofisticados. Dominando alguns elementos da natureza, passa com o seu trabalho a criar instrumentos para evolução, como a alavanca, a roda, os instrumentos de engenharia.

A civilização evolui, e com isso, o homem passa a ter maior noção da sua riqueza, da riqueza de sua família, então, surge o direito, e para pagar a terceiros, surge também o crédito. Isso se deveu à evolução econômica e administrativa, que necessitavam de mais contagens, e logo, de Contabilidade.

Primeiro, se usava pequenas pedrinhas, depois, algumas cordas, até o Ábaco.

Finalmente, com a evolução da impressa, os cálculos e os produtos de contabilização passaram a evoluir gradativamente.

As forças e movimento humano passam a ser facilitados pela máquina; ele comenta que a máquina de calcular era para manter com precisão e rapidez aquilo que o com contador consegue fazer manualmente, porém muito mais sujeito a erros.

Ele comenta abertamente na página 15 de sua obra:

“Mais de uma vez dissemos que a máquina não dispensa A GUIA E A ORGANIZAÇÃO DO HOMEM, não só pelo simples acionamento daquelas, mas também quanto à organização da Contabilidade mecânica. Procure-se dar a maior expansão possível à MECANIZAÇÃO, mas não abandone o ESTUDO DAS TEORIAS DA CONTABILIDADE E O SEU PROGRESSO CIENTÍFICO, lembrando-se de que nem a própria mecanização dos registros existiria, se não existisse um corpo ordenado de conhecimentos, como é a CONTABILIDADE” (grifos nossos)

 

Para o mestre, a parte mecânica poderia ser transformada em máquina, a ciência jamais.

Ele comentava que o advento da máquina ajudaria na precisão dos cálculos, e obviamente no fechamento das informações.

A sua tese estava certa mas não pensaria que hoje até pelo Whatzapp, poderíamos mandar informações importantes para fechamentos de balanços, e prestarmos serviços hábeis de consultoria.

As máquinas tiveram a sua glória até a década de 70 com o advento do computador mais acessível, e depois, na década de 90 com a revolução da informática.

Aqueles que falam que a máquina desemprega deveriam rever suas posições, talvez ela substitua o trabalho humano nas suas partes mais periféricas, todavia, este trabalho é sujeito às metamorfoses, logo, o contador jamais deixará de existir por causa da máquina, algumas profissões desaparecem mas a nossa não devido a questão intelectual.

O que se mecaniza são algumas funções, e não o SER HUMANO.

O que se mecaniza são algumas operações, e não a CIÊNCIA CONTÁBIL.

A profissão contábil, o cientista contábil, o contabilista, o pensamento contábil, sempre existirão independentemente da MÁQUINA.